1.CHEGA DE SAUDADE(1958)

Poesia-Vinícius de Moraes(1913-1980)

Música-Antônio Carlos Jobim/Tom Jobim(1927-1994)

 

Vai, minha tristeza

E diz a ela que sem ela não pode ser

Diz-lhe numa prece

Que ela regresse

Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade

A realidade é que sem ela

Não há paz, não há beleza

É só tristeza e a melancolia

Que não sai de mim

Não sai de mim

Não sai

 

Mas se ela voltar

Se ela voltar

Que coisa linda

Que coisa louca

Pois há menos peixinhos a nadar no mar

Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços os abraços

Hão de ser milhões de abraços

Apertado assim, colado assim, calado assim,

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio

De você viver sem mim

Não quero mais esse negócio

De você longe de mim...

Vamos deixar desse negócio

De você viver sem mim...

 

2.TAMBA-TAJÁ(1934)

Canção Amazônica/Lenda Amazônica n.3

Música- Waldemar Henrique da Costa Pereira(1905-1995)

 

Tamba-tajá me faz feliz
que meu amor me queira bem
que meu amor seja só meu
de mais ninguém
que seja meu,
todinho meu,
de mais ninguém.

Tamba tajá me faz feliz...
Assim o índio carregou sua macuxi
para o roçado, para a guerra, para a morte...
assim carregue o nosso amor a boa sorte...

Tamba-tajá me faz feliz...
Que mais ninguém possa beijar o que beijei
que mais ninguém escute aquilo que escutei
nem possa olhar dentro dos olhos que olhei.

Tamba-tajá
Tamba-tajá

 

 

 

3.AQUARELA DO BRASIL(1939)

Poesia-Ary Barroso(1903-1964)

Música-Ary Barroso(1903-1964)

 

Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro, vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá, bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor, terra de Nosso Senhor

Brasil, pra mim, pra mim, pra mim

Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei Congo no congado
Deixa cantar de novo o trovador

Brasil pra mim, pra mim, pra mim

A merencória luz da lua
Toda a canção do meu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões, arrastando o seu vestido rendado

Brasil, pra mim, pra mim, pra mim

Brasil, terra boa e gostosa
Da morena senhora de olhar indiferente
O Brasil, samba que dá, bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor, terra de Nosso Senhor

Brasil, pra mim, pra mim, pra mim

Ô, esse coqueiro que dá coco
Onde amarro a minha rede nas noites claras de luar
Ah, ouve essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ah, esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro

Brasil, pra mim, pra mim, Brasil!

 

 

 

4.MINHA TERRA(1923)

Música- Waldemar Henrique da Costa Pereira(1905-1995)

 

Esse Brasil tão grande, amado

É meu país idolatrado

Terra de amor e promissão

Toda verde, toda nossa

De carinho e coração

Na noite quente, enluarada

O sertanejo está sozinho

E vai cantar pra namorada

No lamento do seu pinho

E o sol que nasce atrás da serra

A tarde em festa rumoreja

Cantando a paz da minha terra

Na toada sertaneja

Este sol, este luar

Estes rios e cachoeiras

Estas flores, este mar

Este mundo de palmeiras

Tudo isto é teu, ó meu Brasil

Deus foi quem te deu

Ele por certo é brasileiro

Brasileiro como eu.

 

5.UIRAPURU(1934)

Canção Amazônica/Lenda Amazônica n.5

Música- Waldemar Henrique da Costa Pereira(1905-1995)

 

Certa vez de “montaria”
Eu descia um "paraná"
O caboclo que remava
Não parava de falá(r), ah, ah
Não parava de falá(r), ah, ah
Que caboclo falador!

Me contou do "lobisomen"
Da mãe-d'água, do tajá
Disse do jurutahy
Que se ri pro luar, ah, ah
Que se ri pro luar, ah, ah
Que caboclo falador!

Que mangava de visagem
Que matou surucucú
E jurou com pavulagem
Que pegou uirapuru, ah, ah
Que caboclo tentador!

Caboclinho, meu amor
Arranja um pra mim
Ando “rôxa” pra pegar
“Unzinho” assim...

O diabo foi-se embora
Não quiz me dar
Vou juntar meu dinheirinho
Pra poder comprar

Mas no dia que eu comprar
O caboclo vai sofrer
Eu vou desassossegar
O seu bem querer, ah, ah
Ora deixa ele pra lá...

 

6.SAMBA DE UMA NOTA SÓ(1954)

Poesia- Newton Ferreira de Mendonça (1927-1960)

Música- Antônio Carlos Jobim/Tom Jobim(1927-1994)

 

Eis aqui este sambinha
Feito numa nota só,
Outras notas vão entrar
Mas a base é uma só.

Essa outra é consequência
Do que acabo de dizer
Como sou a consequência inevitável de você.

Quanta gente existe por aí
Que fala tanto e não diz nada,
Ou quase nada.


Já me utilizei de toda escala
E no final não sobrou nada,
Não deu em nada.

E voltei pra minha nota
Como eu volto pra você,
Vou cantar com a minha nota como eu gosto de você.


E quem quer todas as notas
Ré-Mi-Fá-Só-Lá-Si-Dó
Fica sempre sem nenhuma
Fique numa nota só!

 

 

7.GAROTA DE IPANEMA(1962)

Poesia-Vinícius de Moraes(1913-1980)

Música-Antônio Carlos Jobim/Tom Jobim(1927-1994)

 

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do sol de lpanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

 

8.MODINHA[1](1926)

Poesia-Manuel Bandeira(1886-1968)

Música-Heitor Villa-Lobos(1887-1959)

 

Na solidão da minha vida
Morrerei, querida,
Do te desamor
Muito embora me desprezes
Te amarei constante
Sem que a ti distante
Chegue longe e triste voz
Do trovador

Feliz te quero,
Mas se um dia
Toda essa alegria
Se mudasse em dor,
Ouvirias do passado
A voz do meu carinho
Repetir baixinho
A meiga e triste confissão
Do meu amor.

 

9.CANçãO DO AMOR(“Floresta do Amazonas”1958)

Poesia-Dora Vasconcellos(1911-1973)

Música- Heitor Villa-Lobos(1887-1959)

 

Sonhar na tarde azul
Do teu amor ausente
Suportar a dor cruel
Com esta mágoa crescente
O tempo em mim agrava
O meu tormento, amor!

Tão longe assim de ti
Vencida pela dor
Na triste solidão
Procuro ainda te encontrar
Amor, meu amor!

Tão bom é saber calar
E deixar-se vencer pela realidade
Vivo triste a soluçar
Quando, quando virás enfim?

Sinto o ardor dos beijos teus
Em mim. Ah!
Qualquer pequeno sinal
E fremente surpresa
Vem me amargurar

Tão doce aquela hora
Em que de amor sonhei
Infeliz, a sós, agora
Apaixonada fiquei
Sentindo aqui fremente
O teu reclamo amor!

Tão longe assim de ti
Ausente ao teu calor
Meu pobre coração
Anseia sempre a suplicar
Amor, meu amor!

 

10.CAIR DA TARDE(“Floresta do Amazonas”1958)

Poesia-Dora Vasconcellos(1911-1973)

Música- Heitor Villa-Lobos(1887-1959)

 

A garça voou,
A sombra ficou,
A noite desceu, levando o brancor !
Ah!

A mata dormiu,
O vento acabou,
A folha caiu,
Fazendo rumor ao tocar!
Ah!

O ramo gemeu,
O ninho vibrou,
O rio bebeu as nuvens do céu.
Ah!

O eco passou bem perto daqui,
As vozes levou,
Rompendo manhãs ao morrer.

 

11.VELEIRO(“Floresta do Amazonas”1958)

Poesia-Dora Vasconcellos(1911-1973)


Ah, Ah,

Lá, lá, lá, lá... ah!

Velas no mar vão deixando passar
A tarde anil e outras ondas vem levar ah!
Sempre existe na mágoa doce murmúrio de um triste amor.
Ah! Ah! Ah!
Quanta tristeza,ondas do mar
Neste vai vem sem me levar,
Pois sempre eu fiz, muita atenção
Em não pisar teu coração...
Longe no céu vai a onda jogar
Tudo o que é meu dentro do mar
Vem me esperar ah!
Lua, lua branquinha
Lua crescente vem devagar. Ah! Ah! Ah!

 

12.CANTO DE XANGÔ(1966)

Poesia- Vinícius de Moraes(1913-1980)

Música- Baden Powell de Aquino(1937-2000)

 

Eu vim de bem longe
Eu vim, nem sei mais de onde é que eu vim
Sou filho de Rei
Muito lutei pra ser o que eu sou
Eu sou negro de cor
Mas tudo é só amor em mim
Tudo é só amor para mim
Xangô Agodô
Hoje é tempo de amor
Hoje é tempo de dor, em mim
Xangô Agodô

Salve, Xangô, meu Rei Senhor
Salve, meu orixá
Tem sete cores sua cor
Sete dias para a gente amar

Mas amar é sofrer
Mas amar é morrer de dor
Xangô meu Senhor, saravá!
Xangô meu Senhor!
Mas me faça sofrer
Mas me faça morrer de amar
Xangô meu Senhor, saravá!
Xangô Agodô!

 

 

 

13.SAMBA DO AVIÃO(1963)

Poesia- Antônio Carlos Jobim/Tom Jobim(1927-1994)

Música-Antônio Carlos Jobim/Tom Jobim(1927-1994)

 

Eparrê
Aroeira beira de mar
Canôa Salve Deus de Tiago e Humaitá
Eta, costão de pedra dos home brabo do mar
Eh, Xangô, vê se me ajuda a chegar
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, teu mar
Praias sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar...

 

 

14.CORCOVADO(1960)

Poesia-Vinícius de Moraes(1913-1980)

Música-Antônio Carlos Jobim/Tom Jobim(1927-1994)

 

Um cantinho, um violão
Esse amor, uma canção
Prá fazer feliz
A quem se ama...

Muita calma prá pensar
E ter tempo prá sonhar
Da janela vê-se
O corcovado o Redentor
Que lindo!...

Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim
Até o apagar
Da velha chama...

E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você
Eu conheci
O que é felicidade
Meu amor...

 

15.EU SEI QUE EU VOU TE AMAR(1958)

Poesia-Vinícius de Moraes(1913-1980)

Música-Antônio Carlos Jobim/Tom Jobim(1927-1994)

 

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar

E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua, eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta tua ausência me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

 

16.RETRATO(1969)

Poesia-Cecília Meireles(1091-1964)

Música-Ronaldo Miranda(1948)

 

Eu não tinha este rosto hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios, nem lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem forças,

Tão paradas e frias e mortas.

Eu não tinha este coração que nem se mostra, que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: em que espelho ficou perdida a minha face, a minha face.

 

17.OUVE O SILÊNCIO(“Canções de Amor“1958-1960)

Poesia- Vinícius de Moraes(1913-1980)

Música-Cláudio Santoro(1919-1989)

 

Cala
Ouve o silêncio
Ouve o silêncio
Que nos fala tristemente
Desse amor que não podemos ter

Não fala
Fala baixinho
Diz bem de leve um segredo
Um verso de esperança em nosso amor

Não, oh, meu amor!
Canta a beleza de viver!
Saúda o sol e a alegria de amar
Em nossa grande solidão

 

18.ACALANTO DA ROSA(“Canções  de Amor“1958-1960)

Poesia- Vinícius de Moraes(1913-1980)

Música-Cláudio Santoro(1919-1989)

 

Dorme a estrela no céu
Dorme a rosa em seu jardim
Dorme a lua no mar
Dorme o amor dentro de mim

É preciso pisar leve
Ai, é preciso não falar
Meu amor se adormece
Que suave o seu perfume

Dorme em paz rosa pura
O teu sono não tem fim

 

19.AMOR QUE PARTIU(“Canções de Amor“1958-1960)

Poesia- Vinícius de Moraes(1913-1980)

Música-Cláudio Santoro(1919-1989)

 

Dor
De querer quem não vem
Dor
De viver sem seu bem
Oh, dor
Que perdoa ninguém
Meu amor
Não tem compaixão
Partiu
Oh, flor
Paixão
Amor que partiu
Tem dó de mim
Assim sem meu bem
Oh, vem perto de mim
Que sofro na solidão
Tão triste dor

 

20.NOVELOZINHO DE LINHA

Poesia-Manuel Bandeira(1886-1968)

Música-Heitor Villa-Lobos(1887-1959)

 

         Para cá, para lá...
         Para cá, para lá...
         Um novelozinho de linha...
         Para cá, para lá...
         Para cá, para lá...
         Oscila no ar pela mão de uma criança
         (Vem e vai...)
         Que delicadamente e quase a adormecer o balança
         - Psiu... –
         Para cá, para lá...
         Para cá e ...
         O novelozinho caiu.

 

 

 

21.EPIGRAMMA(1921)

Poesia-Ronald de Carvalho(1893-1935)

Música-Heitor Villa-Lobos(1887-1959)

 

Sobre um rosa aberta um besouro vem e vai...

O vento chega, o besouro foge,

E folha a folha, a rosa se desfolha e cai.

 

22.SOLIDÃO(1920)

Poesia- Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto(1898-1963)

Música-Heitor Villa-Lobos(1887-1959)

 

E chove...

Uma goteira, fora,

Como alguém que canta de mágoa,

Canta, monótona e sonora

A balada do pingo d'água.

Num dia assim, tu foste embora…

 

23.FOTOGRAFIA(1959)

Poesia-Vinícius de Moraes(1913-1980)

Música-Antônio Carlos Jobim/Tom Jobim(1927-1994)

 

Eu, você, nós dois
Aqui neste terraço à beira-mar
O sol já vai caindo e o seu olhar
Parece acompanhar a cor do mar
Você tem que ir embora
A tarde cai
Em cores se desfaz,
Escureceu
O sol caiu no mar
E aquela luz
Lá em baixo se acendeu...
Você e eu

Eu, você, nós dois
Sozinhos neste bar à meia-luz
E uma grande lua saiu do mar
Parece que este bar já vai fechar
E há sempre uma canção
Para contar
Aquela velha história
De um desejo
Que todas as canções
Têm pra contar
E veio aquele beijo,
Aquele beijo,
Aquele beijo...

 

24.DESAFINADO(1958)

Poesia-Vinícius de Moraes(1913-1980)

Música-Antônio Carlos Jobim/Tom Jobim(1927-1994)

 

Quando eu vou cantar, você não deixa
E sempre vem a mesma queixa
Diz que eu desafino, que eu não sei cantar
Você é tão bonita, mas toda beleza também pode se acabar

Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isto em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu

Se você insiste em classificar
Meu comportamento de anti-musical
Eu mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é Bossa Nova, isto é muito natural

O que você não sabe nem sequer pressente
É que os desafinados também têm um coração
Fotografei você na minha Rolley-Flex
Revelou-se a sua enorme ingratidão

Mas só não poderá falar assim do meu amor
Que este é o maior que você pode encontrar, víu?
Você com a sua música esqueceu o principal
É que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado

É que no peito dos desafinados também bate um coração

 

25.COMO NOSSOS PAIS(1976)

Poesia- Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes/Belchior(1946)

Música-Belchior(1946)

 

Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...

Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...

Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...

Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...

Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...

Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...